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A mostrar mensagens de Novembro, 2009

a idade da inocência

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cena difusa

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orquestrasom

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tom alto

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a orquestra

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er

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Cordas de música
não sufocam
rumores de asas

ramificação

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a ruga e a mão

Este blog já não pode ser tão generalista. Os leitores são muito diferentes e o leque abarcado pelas mensagens é demasiado abrangente. Para comodidade de quem lê, as mensagens onde faço geralmente uma curta reflexão sobre assuntos literários, políticos, críticos e teóricos passam a figurar em novo blogue, chamado a ruga e a mão (lá saberão porquê). Aqui virei anotando o resto, sobretudo imagens.

perspetivas

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O problema da interpretação

Com este título pretensioso pretendo somente comunicar uma observação que pode ser importante se nos fizer pensar um pouco.
Os que estão acostumados com estas questões, tão debatidas por críticos e teóricos das universidades euro-americanas, já foram buscar, a esta altura, à sua memória pessoal, todo o acervo de possíveis perguntas, de conceitos, termos, pressupostos em torno de «interpretação». Porém, desta vez, experimentemos algo de novo. Dispamo-nos disso por momentos para nos descondicionarmos. Eu quero falar da interpretação como sintoma do estado mental ou cultural de uma cidade por exemplo. Acontece em países como Angola (e convém que se fale deles conhecendo bem a sua história), nas suas cidades maiores sobretudo, que as pessoas não conseguem interpretar bem o que leem, por vezes até mesmo o que ouvem.
Uma das variáveis a controlar é, sem dúvida, linguística: língua-mãe do intérprete, sua primeira língua, língua veicular do intérprete, línguas que domina, etc. Agarrada a es…

luanda tudo fish aventura 3

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linhas de luz

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luanda à noite

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aventura tudo fish 2 ilha de luanda

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aventura tudo fish 1 luanda sul

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luanda

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administração municipal de benguela 2

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administração municipal de benguela 1

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retirada

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beco sem saída

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army

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irving kristol

Desde o início dos anos 80 que comecei a ouvir falar no 'neo-conservadorismo' americano, a partir de uns artigos de Nuno Rogeiro publicados em Portugal. Sempre me interessou, embora tenha divergências, como é natural entre pessoas que pensam por si próprias. O que me tornava afim deles era o desmontar dos mitos da esquerda triunfante dos anos 50 a 70, cheia de ideias feitas, preconceitos, futilidades e folclore erigidos em ciência política e políticas sábias, próximas do 'povo'. A diferença vinha sobretudo de eu não ser conservador. Compreendo o conservadorismo como co-natural à humanidade e acho mesmo que, no sentido lato que é dado à palavra, os angolanos foram sempre tendencialmente conservadores. Por essas e outras não me pareceu nunca viável aquela revolução pregada aqui depois da independência - nem nenhuma outra. Também não sou reformista. Acho que a dialética entre conservação, ruptura e revolução (ou reforma) é que, no seu conjunto, coincidem com o ser humano.…

mário antónio até se revoltarem os escravos

provérbio russo

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a sede nos ensina o valor da água

amélia dalomba ao novo jornal

Esclarecedora e frontal a entrevista que Amélia Dalomba deu ao Novo jornal sobre o Prémio Nacional de Cultura e Artes. Em resumo: o júri decidiu homenagear este ano Viriato da Cruz na disciplina de Literatura; o Ministério negou, convocou nova reunião do júri excluindo alguns membros propositadamente (entre os quais Amélia Dalomba) e, após pressões (ou 'explicações') do tipo há iniciativas culturais que serão prejudicadas se insistirem em Viriato, o júri acabou por dar uma prenda envenenada a João Melo. É mais uma atitude para quem duvidava ainda de que temos um Ministério que visa conduzir o país ao dirigismo e à ditadura cultural. Já tivemos o caso do Festival de Cinema - onde houve literalmente censura - o caso do Encontro Óscar Ribas - onde houve tentativa de censura - e o caso da Lusíada, quando da entrega do espólio de M. Pinto de Andrade. Agora dá-se este escândalo de, contra o regulamento, não se respeitar a decisão do júri, impondo-se outro nome. A máscara caiu de vez…

bocoio em tronco

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pernas e raízes

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lobito restinga

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beco na samba

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viriato da cruz mesa de trabalho

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gustavo costa na hor@gá

"Temos medo até de mortos, como o demonstrámos esta semana com o vergonhoso fantasma envolto na tentativa de atribuição do Prémio Nacional da Cultura, na disciplina de literatura, a Viriato da Cruz!" -desconhecíamos isso aqui em Benguela... Uma senhora passou pela janela e disse que não viu nada.

ambulância

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datas

9 de Novembro de 1799: acabou a Revolução Francesa. 9 de Novembro de 1938: noite de cristal (de 9 para 10 de Novembro), em que os apoiantes de Hitler (já no poder) matam perto de 100 judeus, destroem 267 sinagogas e 7500 lojas para limpar a Alemanha da lama do judaísmo. 9 de Novembro de 1989: queda do Muro de Berlim. Hoje?

nicolau saião viu o seu demónio

bp mps

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alda lara testamento

À prostituta mais nova 
Do bairro mais velho e escuro,  Deixo os meus brincos, lavrados  Em cristal límpido e puro...

E àquela virgem esquecida,  Rapariga sem ternura,  Sonhando algures uma lenda,  Deixo o meu vestido branco,  O meu vestido de noiva,  Todo tecido de renda...

Este meu rosário antigo  Ofereço-o àquele amigo  Que não acredita em Deus...

E os livros, rosários meus  Das contas de outro sofrer,  São para os homens humildes  Que nunca souberam ler.  Quanto aos meus poemas loucos,  Esses, que são de dor  Sincera e desordenada...

Esses, que são de esperança  Desesperada mas firme,  Deixo-os a ti, meu amor...

Para que, na paz da hora,  Em que a minha alma venha  Beijar de longe os teus olhos,  Vás por essa noite fora...

Com passos feitos de lua
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua...

lobito restinga prémio nacional de sobrevivência

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prémios nacionais direitos humanos

Ultimamente vivemos dias de prémios. Saíram finalmente os de Cultura e Artes, pelos quais houve uma espera documental de cerca de 15 dias, mas que tiveram o mérito de acentuar a descentralização das atribuições. Foram também descentralizados os prémios nacionais dos direitos humanos, concedidos a duas pessoas e uma entidade: o jornalista do Folha 8, Domingos da Cruz, pela persistência na defesa pública dos direitos do cidadão; o ativista Luís Araújo, que se tem destacado na defesa dos direitos dos desalojados em consequência das reabilitações urbanas, com a ONG SOS-Habitat, que coordena; a ONG OMUNGA de Benguela, que tem estado sempre ativa na promoção de uma consciência crítica e cívica sem a qual, obviamente, não há exercício do principal desses direitos: o de abrir os olhos para ver. O júri foi presidido por Marcolino Moco, ex-primeiro ministro angolano e atualmente professor universitário. Parabéns a todos, claro.

joão melo parabéns

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João Melo ganhou o prémio nacional de cultura e artes na categoria de literatura. Creio que o prémio se justifica pelo conjunto da sua obra, pela intervenção pública (ainda recentemente, por exemplo, defendeu um tratamento jornalístico mais equitativo), não só pela literatura. É, de qualquer modo, um dos nossos melhores cronistas e um poeta que atinge a excelência na lírica amorosa, sensual, forte, convivial. Daqui os modestos mas soantes parabéns. Como também a Carlos Burity, outro premiado cujo trabalho conheço bem, o intérprete de Ginginda, Carolina, Massemba e outras músicas que desde há muitos anos aprecio. Quanto a Carlos Serrano, que há muitos anos conheci também, na contingência dos congressos e encontros científicos, ainda não li o seu trabalho, que julgo ser fruto de anos de investigação.

pedra redonda

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portanto,

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espiral descendente com luz ao fundo

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claude lévi-strauss sobre criatividade

Nada como um estruturalista para se lhe arrancar uma confissão sobre criatividade. Arriscaria dizer que, em termos lévi-straussianos, a criatividade estalaria pelo menos de dois modos: um modo em 'hiato interno', a subtil desregulação que vai entre estrutura e superfície narrativa, entre funções relacionais e seu preenchimento colorido pelos frutos e pelos bichos da criação; ao que ele chamava música. E um hiato externo: como resolver a agonia do mundo, como unir no mesmo tabuleiro a morte e a vida, esses dois tabuleiros? Se os mitos vêm do fundo da própria estrutura binária do real (o mito funciona assim porque o cérebro funciona assim, porque o universo funciona assim), então, o caso é grave. O mito será a mais extrema criatividade, não por lidar - a ensaiar solucioná-lo mediante uma lógica heróica e total - com o mais difícil dos problemas, mas por o deixar insolúvel, e surdamente inquietador, no quadro da solução, como a silhueta negra do cão picassiano que assombra a…

claude lévi-strauss josé manuel martins

Há pessoas que, pela maneira de estarem connosco e pelo tempo em que estão, deixam sempre um vazio, mais concretamente: um buraco, o da sua falta. O passamento de Claude Lévi-Strauss, porém, não foi só isso. Pedi a José Manuel Martins, professor de Filosofia na Universidade de Évora, autorização para transcrever as suas palavras acerca disso: "Lévi-Strauss estuda-se ao mesmo tempo como uma figura intemporal da Plêiade, como um pensador contemporâneo pertencente à época exactamente antes da nossa - e como uma figura e um nome históricos que inacreditavelmente ainda está vivo, e intelectualmente activo. Quando um homem assim morre, um homem que sobrevivia a si próprio teimosamente, e um homem cujo pensamento é como que uma espécie de amabilidade da palavra e do sentido devotada aos homens, à natureza, aos seres, a cada coisa (ele, o suposto estruturalista abstracto, mas que dizia: "un peu de structuralisme éloigne de la réalité, mais beaucoup y ramène"), o que se…

releituras: dois aa e o sentido da poesia

Ao passar na velha livraria Lello de Benguela - que não é grande livraria, funciona mais como papelaria - comprei livros para reler, pois os exemplares que tenho estão neste momento longe. Dois deles me fizeram revisitar o que de melhor, ou menos pior, os autores empenhados dos anos 60 e 70 puderam fazer dentro dessa linha de engajamento da literatura. O primeiro, que vai sem dúvida muito para além disso (da literatura engajada), é O rio: estórias de regresso, de Arlindo Barbeitos. Pequenas estórias, de gente comum, que podíamos ter visto no quotidiano logo anterior e logo posterior à independência, que traçam no conjunto um quadro humano, antropológico e psicológico muito profundo, que era o da Angola de então. E que, só por si, teriam levado leitores apressados e preconceituosos a compreender melhor o seu próprio país e as estórias de que ele se foi fazendo. O segundo livro chama-se Poemas no tempo, de Arnaldo Santos. A secção com esse nome, dentro da obra, é a que mais reúne (prin…

pedra do sapato

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assembleia

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pedra penteada

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