Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2009

ilha

Imagem

pedro monteiro cardoso

Escritor, jornalista e político de Cabo Verde, Pedro Monteiro Cardoso é mal conhecido ainda fora do seu país. Pertenceu a uma geração importante mas futilmente denegrida por revolucionários apressados. Hoje, felizmente, vem sendo recuperada. Não foi só a geração do mito das Hespérides (as ilhas imaginadas pelos gregos, que a geração dizia serem as do seu arquipélago). Veja-se o caso deste autor: para além de bom poeta - dentro dos parâmetros que seguia, formalmente conservadores - e bom cronista, foi político ativo em defesa da africanidade (assinava as suas crónicas com o pseudónimo "Afro"), da caboverdianidade, dos nativos das ilhas. Foi socialista e comunista. Fundou, com João Lopes, o jornal socialista Cabo Verde em S. Vicente (1920-1921), talvez o primeiro dessa orientação ideológica nas ex-colónias portuguesas. Fundou sozinho o jornal O manduco (1923-1924) no Fogo, sua terra natal. Escreveu em jornais cabo-verdianos e portugueses. Publicou uma bibliografia numerosa e v…

aniversários

Agosto é um mês forte em aniversários significativos de escritores, intelectuais e políticos angolanos. Entre outros, alinho os de que me lembro agora: 3 de Agosto: Jonas Malheiro Savimbi (Munhango, 1934) e David Mestre (Luís Filipe Guimarães da Mota Veiga, Loures, 1948) 10 de Agosto: António Gonçalves (1960) 17 de Agosto: Óscar Bento Ribas (Luanda, 1909) 21 de Agosto: Mário Pinto de Andrade (Golungo Alto, 1928) 25 de Agosto: Paulo de Carvalho (Luanda, 1960) 28 de Agosto: José Eduardo dos Santos (Luanda, 1942) 29 de Agosto: Uanhenga Xitu (Calomboloca, 1924) e José Carlos Venâncio (Luanda, 1954) Sei que há mais, mas não me recordo neste momento nem a 'net' se recorda, pelo que pude ver.

restaurante 2

Imagem

restaurante 1

Imagem

jogos de vidro

Imagem

jogo de sombras

Imagem

jogo de espelhos

Imagem

selval

Imagem

cláudio daniel cronópios

Um poeta brasileiro cada vez mais a levar em conta. Leiam em cronópios o poema «Letra negra», de que transcrevo a parte VIfloresta de enganos, se me esmagam, furiosos, com simulações,é tua face que me escapa à pele;se atravesso veredas infernais,desalentado, paisagem de fraturas,é apenas para encontrar-te,tua imagem reversa é o meu labirinto.

em guarda

Imagem

luanda à noite 2

Imagem

luanda à noite

Imagem

passeio de domingo

Imagem

burka

Imagem

luanda cultural

Luanda está, culturalmente, cada vez mais agitada. É um crescendum contínuo mas que tem, nos últimos anos, aumentado também qualitativamente. Claro que há muitas iniciativas insignificantes, outras até mesmo ridículas, o que é normal, onde há muita coisa também há muita tralha. Mas surgem cada vez mais iniciativas interessantes. A Feira do Livro e do Disco, que não teve hoje a sua 1.ª edição, é uma delas - ainda que se tenham notado (não sei porquê) as faltas de editoras ou livrarias como a Chá de Caxinde, a Lello, a Mensagem e outras que não recordo de momento. Os alfarrabistas tinham livros que fazem falta (e outros que não, claro), mas a preços exorbitantes. Um exemplo: a Formação da literatura angolana, do M. António, a 7500 Kwanzas (um exemplar, aliás, maltratado). Se, como sugeriu a governadora de Luanda numa intervenção apropriada e agradável, espalharem pelas periferias urbanas atividades destas (com livros a preços mais próximos do bolso dos consumidores do subúrbio), sem dúv…

rosto

Imagem

debate

Imagem

luanda sul

Imagem

cronologia literária angolana

Umas das conferências mais sérias do Encontro internacional sobre Óscar Ribas foi a do Prof. António Costa. Ele é hoje mais conhecido em Angola pelo seu trabalho ensaístico, docente e jornalístico no âmbito da linguística. Mas eu conheço-lhe, felizmente, essa veia crítica desde que, no início dos anos 90, trocámos em Braga algumas impressões sobre literatura angolana e, em particular, sobre Castro Soromenho. Propõe António Costa na sua conferência "três segmentos historiográficos" englobantes do percurso diacrónico da nossa literatura: 1 - desde o início da formação de uma literatura em Angola até à geração da Mensagem; 2 - desde a geração da Mensagem até aos anos 80; 3 - dos anos 80 em diante. Há muito que penso assim mas não tinha nunca formulado, com tal clareza, o meu pensamento. Podem chover críticas, por exemplo dizendo que há um período muito longo e, depois, dois muito curtos. Mas a História não é simétrica. Para além disso, o último período não sabemos quanto vai …

ccj

Imagem

jc

Imagem

cc

Imagem

cópia de informação da pide sobre viriato da cruz e o mpla

Imagem
A cópia foi tirada por Edmundo Rocha. Reparem como só nos princípios de 1960 é mencionado o MPLA. Em outras informações dos anos 50 nunca se menciona o MPLA. Deve ter, portanto, sido criado no princípio desse ano.

a criação do mpla

Um dos grandes atrativos do MPLA é o de não se saber ao certo, nem o que é, nem o que vai ser, nem sequer quando foi criado. Mas tornou-se consensual, por investigações e testemunhos e confissões, que não foi criado em 1956. Um Prémio nacional de cultura e artes relativamente recente, Edmundo Rocha, confirmou-o e tinha vivido os acontecimentos o suficiente e investigado o suficiente para afirmar isso. Corrigiu alguns exageros ou alguma precipitação de Carlos Pacheco, o primeiro a investigar frontalmente o grande mito da criação do MPLA em 1956. Lembro-me de há uns anos, finais dos 9o talvez, ouvir Beli Belô a confessar publicamente, no Museu República e Resistência, em Lisboa, que o MPLA não tinha sido criado em 1956. Viriato fez nesse ano um manifesto que foi servindo várias iniciativas de nacionalistas urbanos (sobretudo luandenses) e veio a ser a base do manifesto do MPLA. O Dr. Edmundo Rocha coordenou, com um insignificante apoio da minha parte, um livro sobre Viriato da Cruz, dis…

recargas

Imagem

cavaleiro andante

Imagem
homenagem a uma cultura desconhecida

sofismas neo-nativistas

Por exemplo: não há culturas mestiças porque não há culturas puras. Mas só quem fala em culturas e raças puras são os neo-nativistas. Porque é que intelectuais como Luís Kandjimbo afirmam repetidamente que é preciso expurgar a cultura angolana da lama da crioulidade? Porque é que defendem a limpeza cultural e étnica da literatura angolana? Resposta ao sofisma: dificilmente haverá culturas puras, logo só há culturas que se misturam e remsituram indefinidamente no tempo e no espaço. 


Confundem os neo-nativistas haver culturas puras com haver culturas com perfil próprio ainda que mutante. Se há culturas com perfil próprio, sempre que alguém junta coisas de duas (ou mais) cria um novo perfil, eventualmente uma nova cultura, que só pode ser definida como híbrida, misturada, portanto mestiça. Quando o seu perfil estiver definido ela se misturará com outras naturalmente. O mesmo para as raças. Luís Kandjimbo, que pretende reduzir a produção cultural angolana à fixação de uma matriz banto (qu…

luandino vieira e a dignidade

A seguir às lamentáveis cenas que vão ler abaixo, Luandino Vieira falou, na mesa dos escritores da Conferência Internacion sobre Óscar Ribas e começou dizendo que queria lembrar ali o maior poeta lírico angolano e um dos seus maiores ensaístas, Mário António (Fernandes de Oliveira). Declamou parte de um poema de M. António, «Canto de farra» ("Quando li Jubiabá / me cri António Balduíno / meu primo que nunca o leu / ficou Zeca Camarão"...). Disse mais: que redescobriu a sua angolanidade e compreendeu-se a si próprio desde a sua infância com Óscar Ribas. Que o seu conto «A galinha e o ovo» o deve às leituras das obras de Óscar Ribas (ele disse qual, concretamente, eu agora é que não me lembro). Que frases, palavras, expressões que lia em Óscar Ribas lhe tinham inspirado inúmeras páginas. Luandino Vieira, com a autoridade que foi conquistando ao longo dos anos enquanto escritor e angolano, tomou assim a atitude mais digna da Conferência Internacional sobre Óscar Ribas. Daqui o …

vice-ministro vaiado

As mesas de literatura, na Conferência Internacional sobre Óscar Ribas, foram, para mim, as melhores no seu conjunto. Até o Pires Laranjeira gostei de ouvir falar, colocando com exatidão Óscar Ribas enquanto autor (e obra) intermédio que pode ser puxado pelo discurso nacionalista, pelo nativista, pelo colonial, etc., mas que é mesmo intermédio. O tom geral das comunicações nessas mesas foi no mesmo sentido, de resto evidente e assumido pelo próprio Óscar Ribas. É, portanto, de estranhar que Luís Kandjimbo, Virgílio Coelho e Jorge Macedo tenham atacado violentamente a comunicação de Abreu Paxe que, partindo do conceito de fronteira de Lotman, disse exatamente o mesmo que Pires Laranjeira e os outros, eu próprio incluído. Disse mais que isso não era de estranhar porque o autor era um mestiço cultural e biológico, lembrando que ele se definia também assim - o que de resto já tinha sido lembrado pelo testemunho, vital, de um dos seus informantes. E que, se ele era o exemplo da angolanidad…

óscar ribas II

A primeira parte do colóquio sobre Óscar Ribas, comemorativo do centenário, foi preenchida com comunicações de linguistas, etnógrafos e antropólogos. Devo confessar que me pareceu de qualidade muito variável. É de destacar, por exemplo, a conferência da Prof.ª Amélia Mingas, pela positiva - mas havia mais interessantes, cujos autores não recordo agora. Pela negativa, algumas também. Destaco a de Américo Kwononoka. Lamentável, precipitada, cheia de veleidades e muito pouco humilde. No meio, para coroar as asneiras e leviandades, diz animadamente, partindo de Malinowski e da sua defesa da intimidade com o objeto estudado, diz animada e perentoriamente que, para se conhecer a cultura de um povo, é preciso trazê-la no corpo, e para tê-la no corpo é preciso tê-la no sangue, por herança genética. Portanto, não sei como o Dr. Kwononoka pode falar da cultura científica europeia, por exemplo, ou como o próprio Malinowski podia ter estudado povos cujo sangue não corria nas suas veias. Sentado n…

óscar ribas I

Óscar Ribas foi sem dúvida uma figura central da cena cultural e literária angolana. Para que volte a ser, a sua obra e a sua figura humana foram lembradas em Luanda, numa iniciativa do Ministério da Cultura, que vinha já do Ministério anterior, onde a proposta foi levada pelo antigo vice-ministro Virgílio Coelho. Aparentemente, a iniciativa era de louvar, tanto mais que, ao mesmo tempo, se republicaram quase todas as obras do Autor. Faltam pelo menos dois títulos mas o Ministério assegura que sairão em breve. Isso realmente é de louvar, embora não seja uma edição crítica e, dado que Óscar Ribas mudava as obras de uma para outras edições, deixando ainda por cima inéditos e acrescentos inéditos, a edição crítica era imprescindível. Ainda assim, valeu a pena.

brilho entre grades

Imagem

luanda

Imagem

no bar

Imagem

tronco iluminado na rua dos milagres patagónia

Imagem

tronco viandante passando em frente à sagrada família luanda

Imagem

postal

Imagem

tronco podado frente ao edifício dos correios benguela

Imagem

antónio pompílio na fronteira

Por vicissitudes várias fui-me apercebendo, desde o início, da existência deste poeta, nascido em 1964. Confesso que, desde o início também, os livros dele me pareceram precipitados. São casos em que os nomes vão ficando em suspenso até melhores novidades. Creio que desta vez isso aconteceu: melhores novidades. António Pompílio pubicou mais uma coletânea de poemas, Fronteira: a passagem do limite (Luanda, UEA, 2008). O próprio título define o sentido com que o poeta fala em fronteira: não como bloqueio mas como lugar que marca o instante em que vamos para além (de nós, da memória). O prefácio parece-me oportuno, chamando Glissant para a interpretação da obra e compreendendo que a poesia é isso mesmo: a superação dos limites - através da beleza, claro. A coletânea constitui uma boa surpresa, com um ritmo entre prosa e verso, uso de alguns tímidos mas oportunos grafismos, imagens apropriadas a um texto em aberto mas coeso. De quando em quando, ainda aparecem gorduras, excrescências, pal…

segredo

Imagem

tom

Imagem

kalunga

Imagem

lembras-te do meu nome?

Imagem

ainda ontem...

Imagem

visão de long

Imagem

colhe

Imagem

andam por aqui os homens / entregues à própria sombra

Imagem
(versos de rui sousa, imagem minha)

rui sousa

Um jovem poeta que talvez valha a pena seguir. Estranho: sobreviveu (a sua poesia) à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a menos poética das faculdades que conheci.

à sombra das acácias

Imagem

burkina faso

A 5 de Agosto de 1960 o Burkina Faso ascendeu à independência. Antigo Alto Volta, foi a pátria de Joseph Ki-Zerbo, uma referência inconfundível da historiografia africana, que aí nasceu, em Toma, no ano longínquo já de 1922. A 4 de Agosto de 1983 Thomas Sankara assumiu a presidência do Alto Volta. No ano seguinte mudou os nomes de várias localidades e do próprio país, que a partir de então se chama Burkina Faso, "a terra dos homens incorruptíveis". Feliz aniversário, juventude burkinabe.

a biblioteca

Imagem

diferença e consequência

A 4 de Agosto de 1811 foi inaugurada a Biblioteca Pública da Bahia.

zimbo

Imagem

o regresso do boémio

Imagem

começam

Começam a morrer os que amamos. Percebemos que não somos eternos. Coragem, homem, é apenas a morte.

namoro

Imagem

painel

Imagem

desencontro

Imagem

assinatura

Imagem

abreu paxe etimologia kikongo de kumbu

Zimbo é uma palavra comum já no português de Angola há muito tempo. Alguns intelectuais da vacuidade esticam-se nos bicos dos pés e dizem: nzimbu era a moeda no reino do Kongo, com 'k' (parece que o próprio Ntinu já escrevia com 'k' antes dos portugueses chegarem ao Soyo). O aparecimento de uma TV Zimbo, ao que dizem ainda não legalizada mas um canal que disputa o espaço da TPA com sucesso, trouxe de novo a palavra nzimbu para o intenso domínio público. Conversando com o poeta Abreu Paxe sobre etimologias, ele me confirmou suspeitas antigas. Zimbo é um plural de raíz mbu. Mbu significa mar. Daí vem a palavra, que se pensa calão, kumbu. Zimbo era o dinheiro no reino do Congo quando lá chegaram os portugueses. Isso toda a gente sabe. Também que as ditas eram conchas vindas da ilha de Luanda. Por virem de uma ilha, denominaram-se com base na raiz que indica "mar". É daí que vem kumbu, que etimologicamente significa "do mar" - nesse aspeto sendo mais pr…

st

Imagem

o livro dos incêndios

Imagem

escala

Imagem