tomás jorge vieira da cruz

Tomás Jorge (Vieira da Cruz) nasceu em Luanda a 26 de Maio de 1928. Morreu em Lisboa, de cancro, a 24 de Abril de 2009. Poeta nacionalista, grande declamador, bom garfo, bom conversador, bom homem, bem disposto sempre, bom amigo. Como ele próprio escreveu,

Tudo se gasta

Nós vestimos de sonho

Embelezamos com flores

Tanta sucata!

Mas a ilusão

Também se gasta

Sensação de ouro e prata

De repente

Lata

(idem, ib.)

Comentários

Marta Vasil disse…
Muito interessante e muita verdade a verdade deixada por Tomás Jorge Vieira da Cruz. Não conheço, mas vou fazer uma pesquisa aqui na net.

É sempre bom falar de quem merece ser falado.
Um abraço e boa semana

MV
soantes disse…
Sabe, no meio daquela poesia-comunicado, poesia de apelo muito crú à luta, os versos dele destacavam-se por um ritmo próprio, que não era o da oratória política (como em Agostinho Neto e, em parte, em Viriato da Cruz); também se destacavam porque havia nele uma inquietação filosófica, principalmente sobre o cosmos, a essência do homem, a verdade da morte e o sabor da vida. Infelizmente não a levou mais longe - premências da luta. Também não alinhou impensadamente ou automaticamente na ideologia dominante entre os nacionalistas, nem em qualquer outra. Amava com autenticidade e sentido crítico o seu país.
Já não foi pouco.
Jose Lobo Pires disse…
Seguramente sou um desconhecido para vós, mas tive o previlégio de conhecer Tomás Jorge Viera da Cruz, nos seus ultimos dias de vida. Falou-me da sua poesia e de quanto a amava.Infelizmente, não tive oportunidade, de poder ouvi-lo mais vezes, e conhecer melhor a sua vida e obra.A minha homenagem.

Jose Lobo Pires
soantes disse…
Conte-nos mais sobre esses últimos dias. Gostaria de saber.
Jose Lobo Pires disse…
Tal como referi na minha anterior mensagem,conheci-o nos ultimos dias de vida no Hospital de Santa Maria onde faço voluntariado. Tive a oportunidade de conversar com ele sobre diversos temas, tais como Angola onde nasci e vivi, mais própriamente numa pequena cidade no interior, o Cubal. A poesia era tema obrigatório pois deu-me a conhecer o seu pai, seguramente um dos seus idolos, e falou-me da sua própria poesia. Falava como alguem muito apaixonado pela vida, por tudo e por todos os que o rodeavam. Demonstrava em cada momento, uma enorme personalidade,a de alguem quem tem tudo muito bem arrumado em si próprio.
Foi de facto uma experiencia enriquecedora para mim, enquanto individuo, e que seguramente irei fixar nas minhas memórias.
Os seus amigos e familiares deverão seguramente estar muito orgulhosos da sua vida e obra.

José Lobo Pires
soantes disse…
Obrigado amigo. Era um homem de uma grande estatura e simplicidade, sem dúvida.
O seu Cubal está melhorando. A estrada para lá foi toda asfaltada e já só tem uma ponte (a uns 10km's) por arranjar. O comboio também lá passa já.
O seu testemunho foi precioso.