30 de Nov de 2008
a disa e a nova ditadura cultural
governador
26 de Nov de 2008
25 de Nov de 2008
23 de Nov de 2008
epílogo
Vinha D. António montado num bífido cavalo branco entre maboques e jacintos. E disse: começarei por sinais; os pássaros estranhos, que durante a batalha tinham coberto o céu de Salvador, como se estivesse para cair pedra, afastaram-se bruscamente e não voltaram mais. À sua passagem, uma geração infeliz inclinava silenciosa
E reverencial o medo.
Permanecendo sentado com solenidade no seu cavalo branco, D. António Sebastião Mbandi foi tirando com a ponta de uma lança a carne da sua carne e deu-a aos seus guerreiros a comer na catedral de São Salvador. Ainda hoje lá está, na Igreja onde rezou D. Pedro II, a dar ao sabor dos súbditos a hóstia da sua carne e o vinho de palma do sangue, estipulado em festa pública.
21 de Nov de 2008
benguela - centro
O novo governador deve efectivamente começar a governar hoje. Desde a sua nomeação que altos responsáveis provinciais se desdobram em manobras de bastidores (desde maledicências dirigidas contra colegas a golpadas de última hora) que em nada os dignificam. Agora veremos os resultados e por esses resultados o novo governador começa, já, a ser avaliado. A expectativa nele depositada é positiva, embora sem grandes entusiasmos.
20 de Nov de 2008
excerto
Após o canto luzidio das escravas,
Nuvens que exilam balas
De sol, azul de chumbo e transparências
No pano prenhe que cicia do
Cordame altíssimo da chuva.
Pequenos barcos de fumo,
Assim genuínos, do chão
Vão recolher a tradição
Trovejante na poeira
Do arco tenso em grandiosa voz
Que abriu as cordas insuspeitas.
O sol retoca-nos depois o rosto
Molhado num chão de lama seca e
Arrasta os nossos olhos para o mar
Com doçura. Uma noite amadurece
e a brisa puxa do rasgado bolso
Uma cobra infinita,
Mãe de si própria, o país duplo da verdade.
19 de Nov de 2008
18 de Nov de 2008
17 de Nov de 2008
identidade e globalização em angola
16 de Nov de 2008
14 de Nov de 2008
13 de Nov de 2008
esse estranho destino
Esse estranho destino –
Estranho mesmo que esteja
Comigo desde o berço –
Arrasta-me onde vou,
Com vontade, para longe
De mim.
Esperam-me. Quando já
Me conheceram e esperam
Que eu seja aquele mesmo
Por quem esperam, não estou.
Esse estranho destino me levou
Novamente pra outro
Lugar
Onde aprendo que sou
Dali, que sou aquele
Que sempre quis vir, mesmo
Bem consigo, embora
O seu estranho feitio
O tenha afastado
Novamente dos
Amigos daquele
Que fui
E ficaram esperando
Pelo velho menino
Que nunca voltou.
Esse estranho destino
Que me leva tão longe
De todos
Porque sou somente o caminho,
A lonjura, a distância diferente
De quem apenas vê
Outro caminho em frente,
Esse estranho destino
É que sou.













