31 de Out de 2008

ondas curtas 9

ondas curtas 8

ondas curtas 7

ondas curtas 6

30 de Out de 2008

ondas curtas 5

ondas curtas 4

ondas curtas 3

nelson pestana

Mais um bom artigo deste ensaísta e cientista político (e político) angolano. Para os que possam, ler o semanário Agora na última edição. Apenas uma discordância: parece-me que, quando José Eduardo dos Santos fala em mais ação (novo acordo...) e menos palavras está mesmo a pensar na verborreia habitual de muitos dos seus ministros e outros membros do governo.

ondas curtas 2

29 de Out de 2008

ondas curtas

benguela - peixes mortos, praia do governador

peixes mortos - praia do governador

28 de Out de 2008

busca e paradoxo

27 de Out de 2008

sousândrade - visões

"Uma luz que concentra-se a extinguir-se
Dando mais claridade ao pensamento
Quanto a tire aos sentidos"

(o primeiro verso é cacofónico mas tem uma riqueza conceptual muito rara na poesia romântica brasileira - e portuguesa)

26 de Out de 2008

levitando o caminho

25 de Out de 2008

molo momar - epopeia songay

O cavalo branco do songay Mamar

Levanta na pólvora da flecha de Burroughs

A maçã da musa leonina, mosca

Sobre a cabeça do condenado

Em sete segundos sete,

Sem milímetros nem desvios

Sete vidas, sete, pretas.


O cavalo branco do songay Mamar

Levantava os pés do djassere sobre

O rio, levanta

O próprio Daúda sobre as águas claras,

Sobre o lago Yin. Voltou com a nuvem,

A poeira branca do reino Songay,

Quando os seus poetas tornaram a cantar

Nas lâmpadas mágicas dos sinos escuros.

22 de Out de 2008

praiamorena

sevendesetirase

21 de Out de 2008

confraria da alfarroba

as chaves de marfim rodam sobre as sombras das chamas


minto tanto quanto posso
e
falsifico as mentiras até que se tornem
palavras dos outros

as minhas costas sustentam o céu

(MAS)

melastomáceas: inventor de harmonias

O vário glabro

Supero ou ínfero

Porém palustre.

A liberdade

verticilada

Inflecte no

Botão das pétalas.

Arte límpida

Som e lei

Fruto e baga

Ornamen

Tado estigma

Subcapi

Tado

Luaxi

Lar, i

números

20 de Out de 2008

circuitos II

circuitos

circuito II

circuito

19 de Out de 2008

karl popper e antónio damásio

O capítulo «O problema corpo-mente e o mundo 3», da Busca inacabada de Karl Popper aproxima-se e afasta-se do que veio a ser a teorização de António Damásio. Como exemplos de aproximação, dois: a propriedade e a intensidade com que recorrem à expressão "consciência de si"; a conceptualização da palavra "disposicional", o uso desse conceito, em Damásio mais nítido e completo funcional e biologicamente.

Quanto a afastamentos, penso por exemplo numa ausência que me deixou perplexo: ele nunca cita Piaget para verificar estas hipóteses. As leituras de Descartes podem estar na origem de mais uma diferença, levando Popper a um dualismo que prejudica o seu conhecido interacionismo.
Porém, quero reportar-me especialmente à colocação relativa dos conceitos de 'mente humana' e 'linguagem humana'.
Na p. 263 dessa obra ele fala da "mente humana como produtora da linguagem humana", para a qual temos "aptidões" que "são inatas". Esse inatismo mal definido e a relação directa mente-linguagem parecem-me ultrapassados pelas investigações e hipóteses de Damásio.
A partir daí podemos afirmar com segurança que há uma linguagem das imagens anterior à (e suportando a) linguagem verbal. Essa linguagem das imagens pode ser descrita já como uma protolinguagem ou o hipertexto da nossa linguagem verbal. Ela é já um mecanismo de auto-regulação (uso o termo de Piaget, Popper usa "governo doméstico" - p. 262) do organismo, na sua relação com o meio e na sua relação consigo próprio.

Apesar de ver a "mente humana como produtora da linguagem humana" Popper vai colocar "a base fisiológica da mente humana" no "centro da fala" (pp. 263-264). Isto apesar de ela ser um dos mais altos "centros de controlo" (de auto-regulação). O facto de na altura não termos o conhecimento que temos hoje de como funcionam a mente e a linguagem terá contribuído para esta espécie de reducionismo fisiológico. Os livros de Damásio, com particular ênfase, nos ajudam a construir uma hipótese e uma visão holísticas, por assim dizer. Não há propriamente centros de fala ou de pensamento, embora haja zonas especialmente activas do cérebro quando pensamos, falamos ou simplesmente formamos imagens. Mas todo o cérebro, ou quase todo, é envolvido, incluindo zonas que pareciam neutras para a questão. Os 'centros' são mais é nódulos principais do processamento final de um grande sistema de auto-produção e Damásio avançou com uma hipótese neurobiológica sem precisar de levar em conta "a linguagem e os objectos do mundo 3" (p. 265).
O tal orgão que Popper tanto procurou percebemos então que seja o próprio cérebro a funcionar e interagindo com o corpo.

Essas hipóteses desfasadas hoje, como também a teoria dos dois campos ou hemisférios, devem-se aos limites do conhecimento científico da época (ele cita, sobretudo, obras do fim dos anos 60, o que era inevitável, uma vez que a edição revista é de 1975). Mas isso não obscurece as cintilantes intuições do seu raciocínio (uso a palavra intuição fora do debate filosófico sobre o intuicionismo - apenas levando em conta a sua definição etimológica). É o caso dos "dois problemas" em que subdivide "o problema corpo-mente".
Os "dois problemas" em que subdivide "o problema corpo-mente" são: o de "uma relação muito íntima entre estados fisiológicos e certos estados de consciência" (julgo que pensava na dor de dentes como exemplo) e "o problema muito diferente da emergência do eu e da sua relação com o corpo" (p. 265).
Damásio trata dos dois problemas e desenvolve bastante a reflexão sobre o segundo. Fica-me a curiosidade de saber como Popper reagiria, melhor, pensaria as teorias e os dados trazidos por Damásio e pela sua equipa.

fogos

17 de Out de 2008

avançando nas desoras II

Avançando nas desoras ri-me pensativo da longa persistência dos estudos da redenção, da linguagem e do conhecimento na biopsia dos testículos esteréis. Vem e segue-me: renascem continuamente, levantam-se para caírem mais à frente no húmus desajeitado que será talvez a dissidência da sua vocação de escória. Vem e segue-me: em nome de um Deus-pai reanimados, avançam nas desoras para as sementes que os absorvem, numa estória de bichos do mato, sobre um casco de pedras sifilíticas, hipodérmicas e ulceradas. Avançam para as novas largadas de cartilha alternativa, quilha colonial e espírito de aventura atirado à noite sobre as dunas. Conchas leves, ondulantes e afirmativas nos milagres da mão parando as desoras. Das folhas mortas, sem cor já, pisadas, esquartejadas, a desfazer-se em água e terra podre, cogumelos e líquenes, o parasita vem salvar as políticas de cooperação para a inenarrável memória dos dejectos que alimentaram os príncipes no sacrifício propiciatório dos rituais de vítimas animadas. E no entanto é possível encontrarmos razões para cantar. Inevitavelmente nos depuramos para deixar em letras de ouro chamejante o nosso corpo no livro das bem amadas. É o consolo da fuga nas desoras da verdade. Conquista agrícola, sem dúvida, mas também hidráulica, alvorecendo mãos desconhecidas com a luz esperançada que chispa nos olhos aflitos dos emigrantes que chegam escondidos para descobrir as paralogias da glória. Porém, se lhes deres espaço, eles roubarão versos extirpados das entranhas. E aí sim, terás razão para cantar.

(21-10-2006)

avançando nas desoras I

Avançando nas desoras
Entro para dentro dos sinos
E oiço mundos perdidos,
Fumos que levantam
Da areia molhada na clepsidra
A música suave das palavras
Milenares, buscam a sombra
Desconhecida do seu rosto.
Na tapeçaria dos fios enrolados
Por abutres e falcões,
Cicoamangas, águias audazes e pássaros agoirentos
De longos narizes afiados
Entre sulcos de sombras;
Na tapeçaria das areias enroladas
Onde o mar deixou os resíduos sem adjectivos,
Onde ficou apenas a música suave das palavras
Lentas, a dignidade silenciosa e mágica da noite
Enquanto escoavam
Nas órbitas vazias
Com olhos revirados
Fitando mundos
Que só pressentimos
Por uma sombra ténue,
Rápida e voraz
Insinuando as órbitas
Vazias, desaparecidas
Quando contentes
Fixavam a luz
Que a terra apenas
O oiro das imagens
Consentia, voláteis,
Breves, incompletas.

16 de Out de 2008

o dia novo

Alojado
entre dois gritos
o dia novo
inflama
o órgão, avança,
língua
de sua substância
interna
e penetrante
no ani
versário do povo.

a biblioteca

15 de Out de 2008

luasolua soluasol

casa

Imagens que equilibram e curam

Realçando o colorido da vida,

A ligação das cordas vibratórias

Ao fantasma dos núcleos inurbanos:

Flechas e tankas

Labirintos e círculos

Mandalas e saunas

Tambores de água

A dança das cabaças

Lojas sonorizadas

Lagartas com asas

Excessos e súmulas

Nenhumas coisas

tudo

nada

um

tudo

nada

vazia estrada

apertada

por um nó

que lhe deu casa

movimento

cenário

voo

14 de Out de 2008

inania verba

Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
- Ardes, sangras, pregado à tua cruz, e, em breve,
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava...

O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:
A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve...
E a Palavra pesada abafa a Ideia leve,
Que, perfume e dano, refulgia e voava.

Quem o molde achará para a expressão de tudo?
Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?

E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?
E as palavras de fé que nunca foram ditas?
E as confissões de amor que morrem na garganta?!

(Olavo Bilac)

crónica

13 de Out de 2008

anselm kiefer - alemanha

precipitação

A nova equipa do Ministério da Cultura, se exceptuarmos o historiador Cornélio Caley, é perigosa. Não tanto pelo nativismo subjacente e pelo nitismo sempre dissimulado, mas mais pela precipitação, pelo voluntarismo e intervencionismo que lhes conduz o pensamento. O seu nativismo nunca foi inocente: legitima passando ao lado da sanção democrática, popular; o seu intervencionismo é que pode ser inocente e isso não o torna menos perigoso.
Falo disto a propósito das primeiras afirmações da nova ministra. Foi para além do seu foro para imiscuir-se no ensino das línguas nacionais, aproveitando um evento próximo. Ainda não arrumou a casa e já está a mandar recados para o ministério ao lado. Não é bom prenúncio, penso eu que não é bom prenúncio, amiga Rosa.
Depois, falar assim, de fora, é fácil. Mas onde estão os professores para ensinar as línguas nacionais? Quantos estão a ser formados por ano e quantos podem ser formados no actual sistema de ensino superior? É preciso começar por espalhar e consolidar cientificamente os cursos de formação de professores de línguas nacionais para que tenhamos professores em número e qualidade suficiente. O que significa termos de esperar, para aulas em todo o país, pelo menos cinco a seis anos.
Nesse período é bom irmos cotejando outras experiências. Por exemplo as de Espanha, onde a obrigatoriedade de aprendizagem das línguas locais tem chocado com gerações que, pensando apenas num sentido prático e voltado para a aldeia global, só querem aprender espanhol (castelhano) e inglês. Muitos falantes possuem o espanhol como primeira língua e são obrigados a estudar línguas locais. Será justo? É capaz de ser, mas a liberdade de escolha, para quem não se legitima ideologicamente, é de certeza um princípio a reter.
Por outro lado, enquanto se espera, é de organizar, com os poucos professores que há, cursos de línguas nacionais para pessoas mais velhas, incluindo estrangeiros, que residem aqui tendo que lidar com falantes que preferencialmente usam as línguas locais, a que chamamos por equívoco nacionais. O facto de eles (técnicos superiores, negociantes, licenciados e funcionários públicos) falarem a língua dominante em cada local (para além da portuguesa) mudará muito o cenário, e vai tornar, indirectamente, o ensino e prática das línguas locais mais natural, mais comum e mais eficaz.
Acho que, antes de entrar no campo de acção do Ministério da Educação, a nova Ministra devia arrumar a sua casa e ir pensando com mais prudência nestes problemas todos, informando-se com os colegas do ministério ao lado. Com esse voluntarismo vai somente provocar choques inúteis que em nada ajudam a causa da defesa e ensino de línguas nacionais, que é também uma defesa e ensino da diversidade.

as ironias de absurdo diestro (espanha)

retórica e finanças

Os países mais ricos do mundo vão gastar milhões de euros e dólares para garantir o que uma simples determinação legal podia ter evitado. Os opositores ao liberalismo aproveitam para acusá-lo, parecendo não perceber que reivindicam o mesmo que os políticos dos países capitalistas estão a fazer - ou seja: não têm na verdade nenhuma alternativa. Os políticos tapam os olhos do povo gastando o dinheiro do povo para sustentar a irresponsabilidade dos executivos bancários que apenas olharam para a subida imediata dos lucros, que significava uma subida pessoal nas carreiras e nos rendimentos imediatos deles. A regulação sobre a taxa de liquidez obrigatória dos Bancos e de todas as instituições que façam empréstimos é silenciada no meio deste folclore. E a chave passa por aí. Tal como por punir, finalmente, esses corpos intermédios que são os executivos do espalhafato, dos lucros brutais, imediatos e a todo o custo. Os resultados por eles obtidos não foram só os lucros dos anos anteriores, incluem esta crise. Escudando-se atrás de políticos e empresários, de empresas e instituições cuja dimensão lhes dá abrigo a quase todas as tropelias, há toda uma série de colegas nossos (pessoas com formação académica) gerindo mal instituições públicas e privadas sistematicamente e sem serem chamados à responsabilidade. A sua futilidade precisa de ser julgada. Mais do que pensar a mudança do sistema, é preciso fazer isto: responsabilizar os seus protagonistas. Devem ser impedidos de exercer qualquer cargo directivo durante pelo menos 10 anos. E quem dirigir seja o que for deve responder pelas consequências das suas decisões enquanto elas tiverem consequências.

Vejam bem que esta crise não se deve à esquerda nem à direita, a republicanos nem a democratas, mas sim ao desfuncional prolongamento de um sistema político à partida venerável: o adorável Bill Clinton facilitou ao máximo a concessão de créditos (nisso, Obama e vários outros estão enganados: os democratas foram os verdadeiros liberais); os republicanos divertiam-se com as delícias do sexo oral ao presidente; depois, no poder, os republicanos deixaram tudo estar como estava (rendia, todo o mundo tinha a impressão de lucrar com isso, não valia a pena mexer no assunto); finalmente, repostos na maioria, os democratas também não se preocuparam em emendar os erros que eles próprios tinham cometido. Quando 'a crise' (sem a qual o capitalismo não vive, porque ele é a crise, ele sobrevive através de crises e crescimentos alternadamente), quando 'a crise' estala escondem-se todos, mais uma vez, atrás de respeitosas fotografias e os políticos vão-nos aos bolsos para não perdermos o emprego - dizem eles. Na verdade, protegem-se uns aos outros. E o socialismo não tem respostas para isto: fecha a bolsa por uns dias, uns meses, uns anos. Depois é claro que reabre a usura e por isso temos a certeza de que não tem nem gera alternativas. Para sair deste ciclo é preciso voltarmos à terceira via e à possibilidade de actualizar as solidariedades orgânicas, corporativas mesmo (é pior ser corporativo às escondidas, porque escondidamente sempre o que predomina é o vício, não a virtude). E responsabilizar políticos, executivos, empresários, pelas consequências sociais das suas decisões. É hora de obrigar todas as instituições de crédito a uma taxa de liquidez que nos garanta os depósitos e de parar com as brincadeiras levianas destes meninos, para quem se aplaca o pânico financiando com milhões os que nos levaram milhões todos estes anos em juros.
Lembram-se de Ezra Pound? Do que ele dizia sobre a usura?

tarsila do amaral sono 1928

timo berry anna politovskaia

12 de Out de 2008

assim mesmo

calças novas em setembro



exonerado

Foi finalmente exonerado o governador talvez menos competente e mais corrupto de Angola, há muitos anos a 'governar' Benguela. Em sua substituição vem um general com sentido estratégico, discreto, e com interesses pessoais em empresas de pesca, segundo assegura a blogosfera.
A cidade exultou e, como quem se visse finalmente livre, começou a lembrar toda uma série de episódios tristes que se espera fiquem definitivamente ultrapassados. Contaram-se anedotas, houve muitos risos, muitas pessoas contentes. Hoje de certeza há festas nos quintais.

unidade

O Presidente José Eduardo dos Santos, cujo sentido estratégico tem sido útil a Angola, apelou à unidade dos angolanos. Havendo um partido com mais de 80% de votos e deputados, a governar absolutamente sozinho, sem rival à altura, não percebi ainda qual a intenção de tal apelo. Acho com todo o respeito que seria de apelar à diversidade dos angolanos. Neste momento é de diversidade que precisamos.

sousândrade fragmentos do mar

Nem as horas do sol são minhas horas,
A noite para mim perde o seu sono,
Nem é meu nem sou dele, o mundo - eu amo!

11 de Out de 2008

adivinha 4

Cobra do mar, lápios a sombra. Nuvem
Solúvel em rastos difíceis, vias ondas
Alígeras. Solta a formiga no sudário...

10 de Out de 2008

teoria do charco 7

9 de Out de 2008

verney - quartel I

poema antigo

Tombam sóis nascentes.
Cores vivas vislumbram
Aquilos que não dizemos
Na tinta seca das cartas.

Presença de coros antigos
Dos negros nas plantações
E a tristeza melancólica
Do batuque envolve a roda
G i g a n t e.

Lento ocaso, delicioso
Eu-azul escurecendo
Com as mãos de uma mulher.

(Campinas, 1977 - para Márcia de Araújo Paiva)

8 de Out de 2008

augusto bastos


Nasceu em Benguela a 16-09-1873, à uma hora da madrugada, filho (ilegítimo) de Manoel Thadeu Pereira Bastos, negociante natural de Cabeceiras de Bastos em Portugal, e da preta Lauriana, cuja ascendência não se conhece, cujo local de nascimento se não indica, e analfabeta. Alguns apontam, como data de nascimento, 16-08-1872 e a campa dá como data de nascimento 16-07-1874.
Foi uma figura fundamental da vida benguelense até 10-04-1936, dia em que, pelas 22h, faleceu vítima de ataque cardíaco.
Político, escritor, intelectual, compositor, pintor, negociante, funcionário público, chegou a corrigir os cálculos matemáticos de um Prémio Nobel da Matemática, o qual lhe agradeceu a correcção que, segundo ele (prémio nobel) se devia a uma gralha.
Fez estudos liceais em Lisboa, tendo regressado a Benguela por falecimento do pai, para assegurar a sobrevivência da família. Foi vereador e presidente da Câmara Municipal de Benguela, tendo sido demitido compulsiva e ilegalmente pelo Governo-Geral. Foi vítima da vaga de prisões de 1917 contra os nativos de Angola. Foi o primeiro angolano a escrever uma narrativa policial, hoje desaparecida (As aventuras policiais do reporter Zimbro). Implantou na cidade de Benguela a obrigatoriedade dos exames de condução e beneficiou largamente a saúde pública, os espaços públicos e a cultura benguelense.
O seu nome foi dado a uma rua central de Luanda (entre as Ingombotas, a Maianga e o Maculusso).
Está sepultado no cemitério de Benguela, numa campa simples (foto acima).

7 de Out de 2008

iolanda aldrei

"o espírito quase triste da inocência"

(terra verde)

hieróglifos I

Tagarelar: falar com lagartos secos ao sol.

Tecelões em fila medindo e separando

Como caracóis nas pirâmides.


Tempestade: velas cheias e, no entanto,

Uma serpente em fumo evapora-se do cachimbo,

Do homem deitado sobre o deserto queimado com os pés erectos.


Santuários geométricos e próprias consequências: um tolo contempla

Um girassol já comido por três pássaros dispersos. O seu pensamento

É um escaravelho a deixar o lago seco. Torna-se um boi viril,

Cujos chifres têm na ponta duas mãos de árvore que olham o candeeiro

Que segura com elas o arco dos sinais luminosos. Um homem hieraticamente sentado reflectindo sobre o arco, os sinais luminosos, o candeeiro, os braços esticados. Um precioso portador de selos. Espeta o arco entre si e o lago. Volta-lhes as costas e olha agora para perto de nós. Sentimos-lhe o bafo morno. Põe as mãos em concha e sopra uma folha, a coluna vertebral do pássaro miraculoso que te estende a mão.

Uma abóboda com pés desenha um rectângulo sobre o óvulo vazio.

6 de Out de 2008

cidade catódica

5 de Out de 2008

kofi anyidoho (gana)

"Crescemos com olhos assombrados
...
Desde a minúscula semente do mistério"

st

4 de Out de 2008

bater de asas

~bater de asas~

Teclado fino das caudas

Disseminadas no tempo.


Asas nocturnas

Com medo coagulado

À beira da perfeição.


Voo voltado

Sobre si próprio, banzando

-se, das ausências imensas.


Voo picado

No ventre curvo da origem

Macho exaltado com virgem


Por dentro, oculta.

Pauta de pasto em máscara,

Asa, vislumbre de pássaro.

2 de Out de 2008

granizo

mudança de ciclo

Era uma vez
Um gato maltês
Tocava saxofone
Falava inglês

1 de Out de 2008

soneto moderno e repentino com rima

os países limpos
os países sujos
os países brutos
os países lindos

os rostos astutos
rostos em garimpo
rostos do olimpo
os rostos intrusos

uma percentagem
a cada contagem
já sem ter coragem

ninguém dirá nada
fica só parada
vais ser violada

ponta do sombreiro

Cordas de música
não apertam
o sopro das asas