29 de Fev de 2008
maria sarmento almondinas
28 de Fev de 2008
27 de Fev de 2008
tem gente com fome

paulamar
26 de Fev de 2008
latido
K. A. Appiah, filosofia e política
música erudita clássica e contemporânea
Yolanda Aldrei
25 de Fev de 2008
24 de Fev de 2008
obituário
23 de Fev de 2008
poema angolano
22 de Fev de 2008
20 de Fev de 2008
Sabu
18 de Fev de 2008
aterrar no Redondo
Convido-vos a ir lá. Ver o arrojado e apropriado edifício do Centro Cultural, partir às 17:30h para o monte Chá de Luar, com uma decoração sui generis e uma simpatia inexcedível sem ser subserviente. Peçam moamba alentejana. Fica a 2 km do Redondo na estrada Redondo-Évora. Não se vão arrepender.
17 de Fev de 2008
15 de Fev de 2008
14 de Fev de 2008
Luanda, 14-02-2008
À tarde boas conversas. Há uma efervescência cultural a crescer em Luanda. Caminhamos para, pelo menos, algo do nível dos primeiros anos 70: variedade, competição, produtos cada vez melhores (também não era preciso muito mas a procura de rigor nasce mesmo no pântano e ela é que nos leva até ao céu, para além do céu). Boa música. Variedade e pessoas com quem falar de cultura. Na rua e na paisagem a saudade de Benguela com suas ruas poeirentas, sua paisagem doirada e seca, suas pessoas meio agrestes e meio doces, seu trânsito fluído e o passo calmo das senhoras com panos a varrer a sombra das árvores grandes. Mas aqui há variedade, há pessoas com quem falar de assuntos que só interessam aos interessados em cultura. E as mulheres quando se arranjam no capricho do dia (dos namorados) arranjam-se para competir com o primeiro mundo. Às vezes é preciso. É preciso ganhar ao primeiro mundo. Os nativistas estão cada vez mais ridículos, isolados e assanhados. Uns evoluíram, requintaram-se no pensamento e exigiram-se na pesquisa ou na reflexão e na pesquisa. Outros mostram o que são: frustrados pela sua própria ineficiência que procuram levantar a poeira para garantir o poder. Ameaçam, muito ainda, promovem com o poder que têm actos de racismo, ora velado ora aberto. O banto do nativista é o ariano do nazi. Ridículo, veste-se à ocidental, procura restaurantes caros com loiras, fala de livros sem os ler e avisa os amigos dos outros: cuidado, podes-te dar mal. Não te metas com eles. A premiação é limitada pela cor da pele. Mas cada vez menos fazem sentido aqui. A não pela presença indiferente dos indiferentes que procuram forçar aqui uma cidade igual a tantas outras igualmente artificiais. Os extremos são cúmplices. E a boa conversa é que valeu a pena. Desta vez na Chá de Caxinde. Com boa música e músicos coloridos. O jazz angolano, o blues angolano e a Angola das canções antigas, dos solos de guitarra eléctrica a lembrar cordas de nylon, a bateria sacudida com o ritmo nervoso dos batuques ou a melancolia das marimbas-solo. E a voz doce das mulheres a incendiar-nos as noites na baía. E a elegância de alguns amigos a explicar-nos a música, a vegetação que desapareceu da cidade e era a daqui, os olhos a brilhar quando se cruzavam com os dela, aí Benjamim! Aiué beça'ngana...
Luanda, 13-02-2008
12 de Fev de 2008
por trás da sombra do som
Por trás da sombra do som[1]
Micro paisagens para marimba sola,
Vaga, suave, arrastada;
Minúsculos animais rastejantes
Passam depressa entre restos de ramos e folhas
E um violino em arrepio rasga o panorama
Com um trovão nocturno e a aguda sensibilidade
Das abelhas no caminho do campo
Separado por fronteiras derruídas de oiros e vermelhos.
Por trás da sombra do som
Teus lábios grossos sensuais
Vibram em quantas cordas
Enquanto olhas instigante
Interrogativa e actuante
Disparando a seta aguda
Que se abre em chamas lancinantes,
Cujo ruído quase inaudível aumenta
A finura das lâminas quando se aproxima
Dos silêncios ondulantes e mergulha.
Depois hás-de sentir um cheiro de fim de batalha
Quando finalmente o concerto se cala
Por trás da sombra do som. E a tua mão de bailarina
Tocará no meu corpo ferido sobre o chão molhado
Para salvar-me ainda. Nessa altura trila
No ar um som de flautas tímidas
Que de brilhos pequeninos
Refaz a pureza e a alegria dos caminhos[2].
9 de Fev de 2008
paisagem
5 de Fev de 2008
noite acesa
Flor agreste mímica negra, vermelha
E verde pássaro criança
Estação acordada pela cor das perdizes
A dançar na saia da rapariga, entre a poeira
Ondulante ambulante oscilante levitação
Da caravana em liberdade e com destino certo
Voz entoada nos estalidos do exílio
Sobre o deserto, fugindo em flautas para o mar
Para formar o sol que há-de cair
Uma vez incendiados os pomares em Yerevan
Guizos e oiros ainda das armas de Maral
Abertos agora à alucinação agreste nas areias de Derzoz
De Ksar-el-Kebir e onde? Aqui no sul
Entre pescarias abandonadas e as mamas gigantes
Da Chela derramando prata pura para o extenso colo verde
Para o redondo vermelho do sol e o negro da noite
Pura como azeviche na pupila acesa dos olhos.


















