para que fomos feitos?

Nem para a terra nem para o céu fomos feitos. Nem mesmo para ser lembrados. No encontro entre a luz dos nossos olhos e a imagem das coisas provisórias consistem nossa noite e nosso dia. Não tem preço e é inútil aquilo por que suspiramos. Mas também é inútil o que é perfeito e não tem preço a sua perfeição. Por fim não tem preço e é inútil tudo que nos perde ou que nos salva. Fomos feitos para além da vida pequena e - porque pequena - anunciada. Fomos feitos para o clamor do que não sabemos. Para ouvir o som das flores - graças às abelhas - no murmúrio e no anúncio do seu mel. (Ângelo Monteiro, jesuíta beatnick e vice-deus; poema dedicado a Francisco Soares)
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