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A mostrar mensagens de Março, 2008

teoria do charco I e II

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regresso a Benguela

Numa sexta-feira pela tardinha. Guardando em silêncio todos (incluindo a imprensa nacional e internacional) a notícia das dezenas de mortos nas cheias, das centenas de desalojados e não sei quantas novenas para os que ainda vão morrer picados pelas garras eléctricas dos charcos nos caminhos. Abandonamo-nos, num cansaço magoado e escondido para não mostrarmos tristeza, abandonamo-nos à lassidão sensual dos que não fazem parte do mundo. Sentimo-nos tralha: os nossos mortos não são iguais aos outros. Continuamos sós. Alegra-nos a vista nova dos morros áridos e agrestes agora ainda verdejantes, miragens irónicas do paraíso na ambígua disposição do cenário. Vamos ouvindo as notícias sobre os amigos, os cenários, as anedotas, as perspectivas – enquanto entramos na cidade. Avançamos pelo torvelhilho de poeira. Aqui é assim, dizem os vizinhos de outro tempo. A poeira é da cor do milho, ocorre-me. Será que os Incas reparavam nisso? Não conheces aquele aforismo da Bíblia: tu és lama e em pó te…

benguela, 2002

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descrição da Ilha

De nada falam as palavras No pano branco, sobre o lago. Cobrem caminhos tacteando Traços de sombra sobre a Ilha, Vagos olhos separados Do rumo. E calam-nos sangues –Seivas, larvas, ruas - vários

cubanal

a propósito do último artigo de Fidel Castro consultem as informações constantes neste endereço: http://www.payolibre.com/presos.htm

praia morena, benguela, 2007

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alegação

Um cais deserto sob a morteMe justifica. A queda brusca de uma história Antiga, O deus secreto que a memória Instila. Mundo suspenso, Terno e cruel Para quem fica. Pequeno sonho de papel.

o regresso do rei mago

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Mais uma polémica literária estéril: o Agostinho Neto é ou não um poeta medíocre? Duas respostas: sim, porque foi publicado numa antologia cubana onde estão os melhores do mundo e é o único lusófono lá!!! não, porque é medíocre e mandou prender e matar muita gente!!! Nenhum critério literário. Assim, não vamos a lado nenhum.

a chave / the key

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karl popper / busca inacabada

Uma autobiografia intelectual imprescindível. A reter, no nosso caso (ciências humanas, arte): a preocupação, desde o início, com a arte e a teoria da descoberta artística; a análise e o acrescento às funções da linguagem de K. Bühler (um dos fundadores da Gestalt); as relações com Kant, Hegel e o kantismo; a denúncia do carácter vazio das teorias expressivistas e 'comunicacionais' em arte. Vai haver mais.

ritual poético

Ir lendo poemas até passar o equinócio (começando, suspendendo, retomando e acabando à hora que se quiser). Em Évora começará uma leitura na Galeria 21 às 17h.

a folha

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kapuscinski

A folhaseparada da ramatirita tremesó quando toca o solose acalma

ryszard kapuscinski

nossos mortos que já nada lhes importa são friosindiferentesnão fazem perguntasmantêm-se afastadossempre no mesmo lugarcalam

por exemplo

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curso de literatura, cp. I, p. 10

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curso de literatura , p. 4

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curso de literatura, p. 31

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curso de literatura, p. 5

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maria sarmento como a água

Como a água se move É um mistério lento Um sibilar de vento Na cintura caiada dos quintais.// Mas onde a minha alma estava Era sempre meio-dia...

antónio salvado

Ao campo de miragens / recolhido, / o que vejo não vê / onde me encontro.

antónio salvado - colagem

Consagrado a cantar-te, / Da árvore colho / Fogo que já queimou: / Zelosa solidão. (colagem com poemas de António Salvado, Ao Fundo da Página, pp. 48-49)

curso de literatura , p. 42

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curso de literatura , p. 4

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curso de literatura , p. 3

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curso de literatura , p. 2

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pormenor de capa

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judo e poesia

Um endereço interessante: http://judoepoesia.blogspot.com

paulamar

No Páteo das Romãs, lá, onde as águas correm, há um ainda secreto quadrado de Luz debaixo de uma abóboda azul, árvores florescem, Simpósios emergem em torno da mesa… lá, os Espíritos são Livres, as Almas voam… paula mar, março 008 Conversas às 5as-feiras, em Évora. Exposição “À descoberta da Sombra”.Convento dos Remédios, Páteo das Romãs, 6 de Março de 2008,13 horas

última página

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manuscrito e capa

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o boiadeiro

O vértice de pétalas Calou o vento. Um cavalo azul paria uma estrela, Muito lento, um Boiadeiro com sarna por argúcia. A mulher dos três erguia-se de ausências No parto matinal.

antonio catalano / imagem de Gala

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lopito feijoo

Ano profano Quase infindo passou Por aqui, ali e por Alá.

autoretrato

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david mestre / autoretrato

nada sei e o que presumo emudeu de perfeição

Cabo de Santo António - "Sombreiro"

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palavras com estórias: acabar

Os dicionaristas em geral derivam este verbo de cabo, o qual por sua vez se filia no latino caput (v., por ex., o Dic. Aurélio), portanto cabeça. O chegar ao cabo, ao mesmo tempo seria 'chegar à cabeça' e 'chegar ao fim'. Mas D. Francisco de São Luiz, no Glossário de Vocábulos Portugueses, lembra que o hebraico tinha a forma hhakab, que significava “o que é último, o que é final”; lembra ainda que os árabes diziam el-aqabe para designar o fim. Pode ser mera coincidência histórica, porém uma coincidência que explica a força do verbo na língua portuguesa – se é que não nos aconselha a desconfiar da etimologia latina que lhe é atribuída. As etimologias árabe e hebraica preenchem, de resto, mais plenamente o sentido de frases como “ao fim e ao cabo”, em que o significado da segunda palavra reitera o da primeira. Acabar é, segundo o Diccionario dos Synonymos (do séc. XIX), chegar ao fim de uma acção, “d’uma obra ou trabalho”, independentemente de estar concluído ou não. Ou…

diário inacabado

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maria gabriel llansol

Morreu na sua residência, em Sintra, hoje - segundo me acaba de informar o pen-clube. Paz à sua alma.