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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2008

maria sarmento almondinas

Como uma fita de cetim verde Em redor do perfil esguio e nobre da muralha O rio fita o longe O barco navegável da infância A madeira, as fábricas e os açudes A ponte e as pérgolas As azenhas e a roda que o tempo leva e traz... A luz que o dia fecha em suas doces margens E galga em pensamentos O desejo vivo do mar Esse secreto sonho de cumprir-se rio Seiva da terra de quem semeia e lavra Uma farta colheita de pão e de luar.

pura guerra

Pura guerra engolida Com os dentes, Terra amada na mais longa Des Possessão.

fuga nocturna

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tem gente com fome

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Solano Trindade morreu no dia 19 de Fevereiro de 1974 no Rio de Janeiro. Ainda hoje "tem gente com fome".

açude

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paulamar

"apetece mergulhar diz o carangueijo, não haverá por aí crocodilos pensa o escorpião? as águas que correm nos lugares mais vastos tocam-nos nas águas que connosco transportamos... as ribeiras da infância... os pântanos atravessados... o sonho do mar no horizonte quando o sol se ergue..."

latido

Latido e medo. Um cão antigo Tece o enredo com dias idos E segredos sem remédio. À noite, mudo, relembro, Bentiaba, a vaga Palavra que despedimos. E a noite passa E não sinto ainda Cantar os pássaros.




K. A. Appiah, filosofia e política

Ainda oportuna a sua reflexão «Comprendre les réparations», disponível neste endereço: http://etudesafricaines.revues.org/document4518.html

treinar a visão

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música erudita clássica e contemporânea

acho que vale a pena ir aí: http://www.classicalarchives.com

Yolanda Aldrei

Um belo blog desta poetisa galega. Pelos vistos fotógrafa também. http://www.daterraverde.blogspot.com/

convocatória

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ficheiros comuns

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fêtes 2 Paris

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fêtes 1 Paris

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obituário

Três grandes figuras que fisicamente nos deixam: Robe-Grillet, na escrita francófona - o grande nome do «novo romance», ensaísta e cineasta para além de romancista, provocador e objectualista (v. http://www.lefigaro.fr/livres/2008/02/19/03005-20080219ARTFIG00371-robbe-grillet-le-provocateur-institutionnel-.php); Joaquim Pinto de Andrade e Gentil Viana na política nacionalista angolana - dois grandes nomes ligados igualmente à procura de soluções democráticas para o país. Que a terra lhes seja leve.

escultura tchokwé (cihongo)

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(cortesia: Margarida Castro)

Baía Azul, Benguela, verão de 2007

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jazz

http://www.jazzband.ukhot.com/MP3-2.html bom jazz britânico: o novo álbum de Val Kelly

brasão dos Saenz - com jindungo

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Sainz, Saez, Saëns - origem comum em Castela / La Rioja, corruptela de Santo, provavelmente origem na comunidade sefardita. Fonte: wikipédia. FS

poema angolano

Partes. Dizes palavras amargas Como verdes frutos. Mas, para onde vais, Encontras a mesma verdade: Não sabes quem fica No coração dos outros.

ver

Voir l'arbre celtique: http://www.arbre-celtique.com/

azul dividido / divided blue / bleu divisé

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pergunta

Sainz, Saez, Saint-Saens - o mesmo nome?

avanço no escuro

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Sabu

Por uma casa que não tem portas Levo a companheira que não se molha. Não me abandona, Varre o chão todos os dias e guarda a cinza dos meus passos. Caminhamos com alguém que sai da estrada Por instantes, desaparece Debaixo do penacho dos guerreiros vestidos E volta como os que dormem fora de casa – Uma pedra só não aguenta – Resfolegante mas de olhinhos brilhantes – a marmita. Caminhamos na felicidade cega dentro da casa Católica e sem portas que já encontrámos assim, sem olhar muito Para o risco a dividir a estrada, com a primeira palavra Gravada para sempre nas nossas veias. Turvamos águas Para apanhar os peixes, comemos à sombra das largas mangueiras, Atamos a corda na barriga e prosseguimos como as corças Parindo longe dos leões, vamos nós mesmos Pedindo aos nossos ídolos que se abra o caminho, Que a força do rio não rebente as pontes E alimente com chuva a terra fresca. Pedindo pelos filhos com os olhos para cima, Prosseguindo com os olhos sem filhos por baixo

host

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aterrar no Redondo

Chegado a Évora um salto ao Redondo para comentar «O Herói» e depois tertuliar no monte-restaurante chamado Chá de Lua, ou de Luar. Um monte calvo com a casa em cima, um alpendre vasto a despedir-se do sol todas as tardes. Um excelente chá para abrir as hostilidades, acompanhado por bolo de café com doce de café. Em seguida, intervalo para o Jameson com água lisa e entramos no 'prato angolano', moamba de galinha. Para quem vinha de lá até não era novidade, mas já tinha feito as pazes com um rabo de boi no Café Alentejo e estava pronto para moambar. Então chega o prato e a surpresa: com os mesmo ingredientes uma nova combinação. O molho de um sabor atento e tipicamente alentejano. O pirão, de milho, entre o angolano (compacto) e o brasileiro (a pingar), uma espécie de puré macio, mas apimentado e com alguma erva cujo nome não consegui apaladar. Depois a galinha, com cenoura. Enfim, chamei o dono, homem de extrema elegância e apuro, dei-lhe os parabéns: o senhor acaba de inventa…

3 irmãos

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Luanda, Combatentes, 2006

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L de Luanda

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Luanda, 14-02-2008

Hoje uma Luanda melhor. A manhã agitada, a gente sente-se perdido e abandonado e, repentinamente, a solução dá-se, tudo salvo em cima da hora e por milagre. Aqui sentimos mais a presença de Deus. À tarde boas conversas. Há uma efervescência cultural a crescer em Luanda. Caminhamos para, pelo menos, algo do nível dos primeiros anos 70: variedade, competição, produtos cada vez melhores (também não era preciso muito mas a procura de rigor nasce mesmo no pântano e ela é que nos leva até ao céu, para além do céu). Boa música. Variedade e pessoas com quem falar de cultura. Na rua e na paisagem a saudade de Benguela com suas ruas poeirentas, sua paisagem doirada e seca, suas pessoas meio agrestes e meio doces, seu trânsito fluído e o passo calmo das senhoras com panos a varrer a sombra das árvores grandes. Mas aqui há variedade, há pessoas com quem falar de assuntos que só interessam aos interessados em cultura. E as mulheres quando se arranjam no capricho do dia (dos namorados) arranjam-se …

Luanda, 13-02-2008

De novo Luanda. Mais lojas nas avenidas centrais e mais bonitas. O resto a mesma cidade horrível ainda. Começa de manhã: o avião que partia às 8h partirá às 13h. Acabou por partir às 17h e com mais uma rota no caminho. O vôo da TAAG suspenso outra vez. Um país suspenso e adiado muitas vezes - apesar disso caminha. Às vezes a passos largos e desordenados. Os passageiros desembarcaram de volta às 20:45h num aeroporto sem condições nenhumas e que há muito esgotou a sua capacidade de alojamento. Já conseguiram prever que vão fazer outro. Aquele já é de uma ironia que exige atenção. Para voar 45 minutos esperamos um dia inteiro. A viagem Benguela - Luanda de carro é mais rápida e mais interessante, mesmo para quem já a fez várias vezes. Oferecem-nos quase no fim uma miniatura de Amarula. As putas nas boates gostam disso - lembro-me de repente e escondo os pensamentos. Um toque de pernas que nos estremece e lá vem a voz doce, sensual: pagas uma Amarula? A aeromoça tem um sorriso bonito e a …

máscara

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por trás da sombra do som - II

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por trás da sombra do som

Por trás da sombra do som[1]Micro paisagens para marimba sola,Vaga, suave, arrastada;Minúsculos animais rastejantesPassam depressa entre restos de ramos e folhasE um violino em arrepio rasga o panoramaCom um trovão nocturno e a aguda sensibilidadeDas abelhas no caminho do campoSeparado por fronteiras derruídas de oiros e vermelhos.Por trás da sombra do somTeus lábios grossos sensuaisVibram em quantas cordasEnquanto olhas instigante Interrogativa e actuanteDisparando a seta agudaQue se abre em chamas lancinantes,Cujo ruído quase inaudível aumentaA finura das lâminas quando se aproximaDos silêncios ondulantes e mergulha.Depois hás-de sentir um cheiro de fim de batalhaQuando finalmente o concerto se calaPor trás da sombra do som. E a tua mão de bailarinaTocará no meu corpo ferido sobre o chão molhadoPara salvar-me ainda. Nessa altura trilaNo ar um som de flautas tímidasQue de brilhos pequeninosRefaz a pureza e a alegria dos caminhos[2].[1] Por Trás da Sombra do Som, peça musical de J. Go…

excerto

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paisagem

Caminhos longos, abertos, pedregosos e argilosos ao mesmo tempo. Caminhos solitários estendidos sobre montes, vales e margens em linhas frontais, que não contornam paisagens ermas, abnegadas, queimadas, expostas ao desabrigo do sol pacientemente, muralhas farinhentas guardando sob o maciço paradoxal os seus tesouros de água. Árvores negras e sem folhas paradas há muitos séculos, expectantes. Para além da morte. O serpentear do asfalto engolido vagarosamente por esta poeira de solidão. Cada vez chove menos. Como um lagarto perdido na infância, erramos de trilho e mergulhamos nas águas salgadas. Os instantes de alívio azul nos devolvem a morte.

perplexo

Fábula maravilhosa: e no entanto não posso ser aquilo que eu invento.

J

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rótulo

Lavar um cristal de espumas com chumbo nos ossos gelados

reunião

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noite acesa

O azeviche na pupila dos olhos Flor agreste mímica negra, vermelha E verde pássaro criança Estação acordada pela cor das perdizes A dançar na saia da rapariga, entre a poeira Ondulante ambulante oscilante levitação Da caravana em liberdade e com destino certo Voz entoada nos estalidos do exílio Sobre o deserto, fugindo em flautas para o mar Para formar o sol que há-de cair Uma vez incendiados os pomares em Yerevan Guizos e oiros ainda das armas de Maral Abertos agora à alucinação agreste nas areias de Derzoz De Ksar-el-Kebir e onde? Aqui no sul Entre pescarias abandonadas e as mamas gigantes Da Chela derramando prata pura para o extenso colo verde Para o redondo vermelho do sol e o negro da noite Pura como azeviche na pupila acesa dos olhos.

ninho ambulante

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vibração

Cordas de música não apertam o sopro das águas
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"Lembra-te de esquecer" (Kant)